A Câmara de Vereadores do Paulista realizou, nesta segunda-feira (22), uma audiência pública para discutir a criação de uma política municipal voltada a portadores de fibromialgia, síndrome crônica caracterizada por dores generalizadas e de difícil diagnóstico. O encontro reuniu pacientes, especialistas da saúde e representantes do poder público, com o objetivo de dar o primeiro passo para garantir direitos e tratamento adequado.
Durante a audiência, relatos emocionaram o plenário. “A maior batalha é a descrença. É você chegar no posto de saúde com uma dor incapacitante e te olharem como se fosse frescura”, afirmou Érica Castro, presidente da Associação Minha Dor Tem Pressa – Fibromialgia. Ela reforçou a necessidade de capacitação de profissionais da rede básica para identificar corretamente a doença e encaminhar pacientes para o tratamento.
A médica especialista em canabidiol, Danielle Aymar, destacou que o tratamento da síndrome deve ser multidisciplinar. “Envolve medicação, atividade física adaptada, suporte nutricional e psicológico. O canabidiol tem se mostrado uma ferramenta importante, mas o acesso ainda é caro e limitado. Políticas públicas podem mudar isso”, afirmou.
O presidente da Câmara, vereador Eudes Farias, disse que já existem propostas em tramitação e que a ideia é consolidar as discussões em um projeto de lei. “Nosso compromisso hoje é ouvir e transformar essa demanda em política de estado, não de governo, para garantir direitos permanentes”, destacou. A secretária municipal de Saúde, Sônia Arruda, também se comprometeu a estudar protocolos específicos de atendimento pelo SUS.
O primeiro secretário da Câmara, vereador Fabiano Paz, disse: “Estamos diante de uma pauta que precisa ser tratada com responsabilidade e prioridade. Nosso objetivo é dar voz a essa causa e trabalhar para que o resultado seja uma legislação efetiva, que ultrapasse gestões e garanta um atendimento digno e continuado a quem mais precisa. Esse é o papel do Parlamento: transformar a escuta da população em medidas concretas.”
A audiência ainda contou com representantes do INSS e de profissionais do direito, que orientaram pacientes sobre afastamentos, aposentadorias e garantias legais. O clima entre os participantes foi de esperança de que as discussões avancem e tornem o município referência no acolhimento a quem convive com a fibromialgia.
Foto: Denilson Farias